5 músicas do Eurovision 2022 que valem a pena ouvir a um mês do festival

Logo oficial do Eurovision 2022

Falta um mês para a final do Festival Eurovisão da Canção — também conhecido como Eurovision. É um concurso de músicas promovido pelas principais emissoras dos países europeus e outros convidados desde 1956, em que cada um deles participa com uma apresentação.

O grupo sueco ABBA, por exemplo, ganhou notoriedade ao vencer o Eurovision com a canção “Waterloo”, em 1974. O atual campeão é a Itália, vencedora em 2021 com “Zitti e Buoni”, da banda Maneskin. Por tradição, a sede do evento é sempre o país ganhador do concurso no ano anterior. Portanto, neste ano o festival ocorrerá em Turim, no noroeste italiano.

Vale destacar que há países de fora da Europa que participam do Eurovision: a Austrália é um deles, além de Israel. E a organização do evento excluiu a Rússia por causa da invasão à Ucrânia.

As semifinais do Eurovision 2022 estão marcadas para 10 e 12 de maio. O show final, para 14 de maio, um sábado.

Veja abaixo 5 músicas do Eurovision 2022 que valem a pena ouvir. Não são necessariamente as melhores canções, mas são as que vão dar o que falar nas próximas semanas.

“Stefania” — Kalush Orchestra (Ucrânia)

Como definir “Stefania”? Como uma ode à figura materna que tem o refrão no ritmo de uma cantiga de ninar. A música se costura pelo rap rápido e forte, em que a poesia parece sair do conforto do colo da mãe para as dificuldades da vida.

Por que vale ouvir? Pelo contexto da invasão russa à Ucrânia. E também porque a música, em ucraniano, mistura ritmos tradicionais do país com estilos mais modernos.

Melhor parte da letra (em português): “Eu vou sempre encontrar o caminho para casa, mesmo se todas as estradas estiverem destruídas”. “Stefania” é anterior à invasão russa, mas não tem como deixar de pensar na destruição causada pela guerra ao ouvir a música.

Curiosidade: “Stefania” não tinha sido a campeã do concurso ucraniano, e sim “Tini zabutykh predkiv”, de Alina Pash. Só que a artista entrou no centro de uma polêmica por ter entrado na Crimeia, anexada pela Rússia, supostamente sem autorização das autoridades ucranianas — que desde 2014 estabeleceram regras bem rígidas para viagens nas regiões disputadas com os russos. De qualquer forma, a música de Alina Pash só havia vencido a competição na Ucrânia por causa do júri. O voto popular tinha escolhido “Stefania” como a preferida, mesmo.

“Fullen” — Alvan e Ahez (França)

Como definir “Fullen”? Como uma dançante música meio folclórica meio eletrônica cantada em bretão, língua tradicional da região francesa da Bretanha, no noroeste do país. “Fullen” quer dizer faísca, mas também pode significar “moça bonita”.

Por que vale ouvir? Porque, afinal, não é todo dia que uma música em bretão é apresentada para o mundo inteiro. Cerca de 5%, da população bretã, ou seja, pouco mais de 200 mil pessoas, falam o idioma.

Melhor parte da letra: “Ignorando as feras selvagens eu danço e roubo o fogo de seus olhares cheios de desejo. E eu os transformo em uma música para cantar em uníssono”. A letra é uma alegoria à possibilidade de uma mulher dançar sem medo, mesmo diante de figuras que agem como animais.

Curiosidade: este Eurovision não terá nenhuma canção na língua francesa, pela primeira vez na história. Nem os outros países francófonos participantes (Bélgica e Suíça) vão se apresentar com o idioma francês.

“Saudade, saudade” — MARO (Portugal)

Como definir “Saudade, saudade”? Como uma deliciosa e tranquila canção sobre o sentimento de saudade e a dificuldade em explicar essa palavra. Por isso, mescla inglês e português.

Por que vale ouvir? Exatamente porque aborda a saudade e apresenta a palavra para o público internacional. O termo que entrou para o folclore da língua portuguesa como um dos mais difíceis de se traduzir para outras línguas — não que não haja outras expressões para definir esse sentimento em outros idiomas.

Melhor parte da letra: “Resta só uma palavra: saudade, saudade. Não tenho mais o que falar, mas é o melhor jeito de dizer”. Misturando inglês e português. Genial.

Curiosidade: Portugal vem se tornando um dos países mais fluentes em inglês no mundo. Segundo a pesquisa EF English Proficiency Index, que avalia a proficiência do idioma em diversos países, os portugueses aparecem em sétimo lugar.

“Jezebel” — The Rasmus (Finlândia)

Como definir “Jezebel”? Como um pop rock sobre uma apaixonante figura feminina. Bem música adolescente dos anos 2000.

Por que vale ouvir? Pela nostalgia. Não só a música parece ter saído da MTV de 15 anos atrás como a banda The Rasmus fez sucesso dentro e fora da Finlândia principalmente entre 2001 e 2007. Tanto que chama a atenção um grupo já relativamente conhecido participar do Eurovision.

Melhor parte da letra: “Jezebel, se você é o caçador, eu sou a caça. Você lambe seus lábios enquanto se afasta. Seu último beijo deixa uma cicatriz no coração”. Para colocar no MSN ou na descrição do Orkut.

Curiosidade: É o segundo ano consecutivo em que a Finlândia entra na competição com alguma vertente do tradicional rock finlandês. Em 2021, o país concorreu com o metal “Dark Side”, de Blind Channel, e terminaram na sexta colocação. A edição de 2022 também terá a Bulgária com “Intention” (Intelligent Music Project) e San Marino com “Stripper”, de Achille Lauro — essa, seguindo bastanto o estilo glam-tatuado do Maneskin, grupo italiano vencedor no ano passado.

“Eat your salad” — Citi Zēni (Letônia)

Como definir “Eat your salad”? Como uma canção disco bem dançante até que milita pelo veganismo e por atitudes ecologicamente corretas colocando trocadilhos sexuais de gosto muito duvidoso.

Por que vale ouvir? Porque é tão ruim que chega a ser curiosa. Definitivamente está entre as piores músicas do Eurovision deste ano. Só o verso que abre a música — “Em vez de carne, eu como vegetais e bucetas” — já faz franzir o rosto.

Melhor (quer dizer, pior) parte da letra: “Eu sou uma fera e não um assassino, esqueça seus cachorros-quentes porque minha salsicha é maior”. Sem comentários.

Curiosidade: Vamos dar um desconto aos letões porque de fato o país vai relativamente bem nos indicadores de meio-ambiente. Pelo ranking de 2020 (o mais recente) do Environmental Performance Index (EPI), que mede o desempenho nas áreas ambientais, a Letônia aparece em 36º. São 180 países avaliados, e o Brasil aparece em 55º.

Assista abaixo a trechos de TODAS as 40 músicas participantes do Eurovision 2022

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