Azovstal: saiba mais sobre o complexo industrial na Ucrânia cercado por militares russos

Parque industrial da metalúrgica Azovstal, em Mariupol, em foto de 2014. Foto: Chad Nagle, CC BY 2.0.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou nesta quinta-feira (21/4) que os militares russos não ataquem os combatentes ucranianos encurralados no parque industrial da metalúrgica Azovstal, em Mariupol, sul da Ucrânia.

Entretanto, a Rússia deve manter o cerco aos poucos ucranianos que resistem no complexo metalúrgico até que consiga tomar de vez Mariupol. Se conseguir isso, os russos terão ocupado praticamente todas as margens do mar de Azov, estratégico para a navegação no leste da Europa.

A Azovstal, cujo complexo industrial foi cercado pelos russos, está entre as maiores companhias metalúrgicas da Ucrânia — país que, por sua vez, figura entre os que mais exportam aço no mundo. Além disso, é de propriedade do magnata Rinat Akhmetov, o homem mais rico do país.

Por causa da guerra, o complexo de fábricas da Azovstal está sem funcionar desde 7 de abril. É a primeira vez que o parque sai de operação desde a Segunda Guerra Mundial (leia mais abaixo sobre a história da Azovstal).

Segundo site da Azovstal, a usina em Mariupol produzia 5,7 milhões de toneladas de ferro e 6,2 milhões de tonelada de aço todos os anos. O parque industrial fica muito próximo ao estratégico Porto de Mariupol e ocupa uma área de cerca de 11 km².

Essa vasta área ocupada pela indústria tem uma peculiaridade que faz o local ter uma importância a mais na guerra entre Rússia e Ucrânia: há uma rede de túneis subterrâneos que dificulta qualquer estratégia de invadir a usina, explica a agência de notícias Associated Press.

História da Azovstal

Metalúrgica Azovstal, em foto de 2007. Foto: CC BY-SA 3.0

A história da Azovstal remonta aos primeiros anos da União Soviética: em 1930, apenas oito anos depois da formação do país, o governo comunista ordenou a construção de um complexo industrial para o ferro e o aço próximo ao Porto de Mariupol. Após quase três anos de construção, a fábrica começou a funcionar em 12 de agosto de 1933.

Com a entrada da URSS na Segunda Guerra Mundial, a Azovstal parou de funcionar em outubro de 1941, com o risco de tomada pela Alemanha Nazista que começava a avançar sobre o território soviético até tomar Mariupol. Na retirada dos alemães, em 1943, o parque industrial ficou parcialmente destruído, mas a reconstrução veio rapidamente nos anos seguintes.

Com a queda da URSS, a Azovstal, que era de propriedade soviética, passou para a Ucrânia recém independente em 1991. O governo ucraniano, no entanto, decidiu colocar a empresa no rol de companhias privatizadas em 1996, em uma das várias tentativas dos governos da região em liberalizar a economia após a queda do comunismo e as crises econômicas daquela década.

Finalmente, em 2006, a Azovstal foi comprada pelo grupo Metinvest — do magnata da mineração Rinat Akhmetov, o homem mais rico da Ucrânia e cuja fortuna é estimada em US$ 4 bilhões segundo a revista “Forbes”. O bilionário, que também é dono do clube de futebol ucraniano Shakhtar Donetsk, já prometeu que vai ajudar a reconstruir Mariupol depois da guerra.

Crise humanitária em Mariupol

Prédio em Mariupol destruído após bombardeio russo. Foto: Ministério de Assuntos Internos da Ucrânia, Mvs.gov.ua, CC BY 4.0

Mariupol está entre os centros urbanos mais devastados pela guerra, que já se arrasta há quase 60 dias. O próprio presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, reconheceu na semana passada que a cidade foi completamente destruída.

Assim, a situação humanitária em Mariupol é gravíssima: estimativas do governo ucraniano — não verificadas por fontes independentes — apontam que de 10 a 20 mil pessoas tenham morrido no conflito.

Além disso, outras dezenas de milhares ainda teriam ficado presas na cidade, com o cerco russo à cidade. Tentativas de formar um corredor humanitário para retirar moradores ou não deram certo ou tiveram curtíssima duração.

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